Dia Mundial da Conscientização do Autismo: famílias enfrentam desafios na inclusão em escolas de Maceió

  • 02/04/2025
(Foto: Reprodução)
Muitas escolas não possuem profissionais qualificados para trabalhar com pessoas com TEA. Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo é uma data para informar e diminuir o preconceito. Léa Karla/Arquivo Pessoal Um mundo melhor. Esse costuma ser um desejo comum entre a maioria do pais que, ao ter os seus filhos, sonham. Mas o que fazer quando a aceitação, o carinho e o acolhimento, que costumam ser características desse lugar almejado, dão lugar às frustrações, à falta de empatia e, em muitos casos, ao preconceito? ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 AL no WhatsApp Seja na hora da matrícula, com tentativas frustradas de conseguir uma educação de qualidade para crianças atípicas, ou nas salas de aula, com a falta de apoio aos alunos autistas, o preconceito e discriminação são presentes e frequentes nas escolas. E o problema não para por aí, as práticas disseminadas através de sussurros, bullying e estereótipos são só parte dos desafios enfrentados por quem tem esse transtorno. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado por déficit de comunicação social e comportamento, mas não impossibilita quando há acessibilidade e inclusão. Nessa quarta-feira, (2) é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, para informar e diminuir o preconceito contra os portadores do TEA. LEIA TAMBÉM: Estudante autista conquista 840 pontos na redação do ENEM em Alagoas Cresce a cada ano o número de estudantes autistas matriculados em instituições de ensino básico, mas os desafios enfrentados por eles e pelos pais na busca de uma escola inclusiva com educação de qualidade e empatia está longe de acabar. A lei Nº 12.164, de 2012, assegura o direito a um acompanhante especializado aos alunos que relatarem necessidade, mas a inclusão ainda é um longo caminho para ser construído. “Na verdade pode-se afirmar que algumas escolas tentam ou se dizem ser inclusivas, no que diz respeito a escolas regulares. Mas a inclusão de fato ocorre mais por parte dos colegas de turma, de alguns professores e profissionais que tentam acolher, se preocupam com as necessidades, tem empatia. A escola como um todo deixa muito a desejar no que diz a lei.” diz Adélia Vertano, mãe e professora de crianças autistas. Ensino para crianças com TEA deve ser individualizado, flexível e baseado em suas necessidades, interesses e pontos fortes específicos. Léa Karla O g1 entrevistou um estudante autista, que será chamado de Marcos, para preservá-lo. Ele conta que o desafio mais difícil é o preconceito e a desinformação de não saber como lidar com alunos do TEA. “Sempre enfrentei muito preconceito na vida escolar de professores que não sabiam as características do meu transtorno. Hoje estou na universidade, e continuo sofrendo agressões de quem deveria me ajudar [comunidade acadêmica] quando entro em crise”, diz ele. A realidade do ensino público x particular Psicólogos e profissionais da educação afirmam que as abordagens de ensino para alunos autistas devem ser adaptadas para atender as necessidades individuais. Além disso, dizem que todas as escolas devem promover acessibilidade, quando a inclusão da pessoa autista na rotina escolar feita de forma correta é benéfica para a socialização, autonomia e aprendizagem acadêmica. No entanto, a situação das crianças autistas é semelhante em ambas as redes de ensino: só se consegue suporte por meio de ações judiciais, ou muitas idas e vindas em secretarias de educação e reclamações públicas. "Embora a legislação brasileira e as iniciativas em Alagoas garantam os direitos dos alunos com deficiência ao acompanhamento e métodos adaptados, a implementação efetiva ainda enfrenta diversos desafios. É importante ressaltar que existem profissionais dedicados e escolas que se esforçam para promover a inclusão, mas ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que todos os alunos com deficiência no estado tenham seus direitos plenamente atendidos e recebam uma educação de qualidade e inclusiva", disse Léa Karla, psicopedagoga. O g1 constatou que os principais problemas das escolas de Maceió no tocante a crianças com TEA são: Preparo profissional insuficiente para auxiliar no processo de aprendizagem dos alunos (dentro da sala de aula); Falhas na comunicação entre pais e comunidade escolar; Falta de profissionais para acompanhamento, como psicopedagogos; Falta de atividades de estímulo adaptadas; Preconceito de pais de outros alunos; Dificuldades de infraestrutura; Necessidade de aprimorar as práticas pedagógicas inclusivas Crianças com TEA precisam de um ambiente físico acessível que permita sua locomoção e participação em todas as áreas da escola. Léa Karla No início do ano, pais e mães protestaram contra uma portaria da Secretaria de Educação do Município (SEMED) que limitava o número de profissionais acompanhantes de alunos atípicos nas escolas de Maceió, como foi mostrada na reportagem do AL2. A realidade não é muito diferente da rede privada. Das sete escolas entrevistas pelo g1, apenas três disseram ter profissionais preparados e estruturas adaptadas ao ensino. Uma delas, no bairro da Ponta Verde, é a única do estado com módulos adaptados para autistas e um centro de terapia multidisciplinar, com fonoaudiólogos e fisioterapia. "Para termos, de fato, uma educação de qualidade e inclusão, precisamos de um tripé formado por pessoas para acompanhar e capacitar, metodologias, porque para ensinar pessoas com autismo precisa de metodologias de ensino que foram desenvolvidas para elas, e recursos educacionais adaptados, como jogos educativos. E, claro, além disso, essas crianças também precisam de amor, acolhimento e empatia", disse Mônica Ximenes, presidente da associação de Amigos do Autista (AMA). Sobre as medidas inclusivas, a SEMED afirmou que conta com 114 Salas de Recursos Multifuncionais (SRM), que oferecem atendimento educacional especializado para alunos com transtornos, altas habilidades ou superdotação. Essas salas trabalham a acessibilidade e a inclusão, funcionando como um apoio de reforço, com atividades específicas para que os alunos possam se desenvolver dentro delas, incluindo a coordenação motora e habilidades cognitivas. Disse ainda que do universo de 7.228 professores, apenas 134 são habilitados e trabalham com educação especial. Já a Secretaria de Estado de Educação de Alagoas (SEDUC-AL), afirmou que as escolas da rede estadual também são orientadas a identificar e acolher estudantes com TEA em qualquer período do ano letivo. Esse processo é conduzido pelos professores da sala comum e que contam com o apoio das equipes pedagógicas e dos docentes da Educação Especial. Associação de Amigos do Autista (AMA). Divulgação/AMA-AL Onde buscar ajuda Em Alagoas, a Associação de Amigos do Autista (AMA) fornece tratamento multidisciplinar para crianças e adolescentes do TEA, com psicólogos, pedagogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogas e professores de educação física. "Uma rede de apoio é muito importante nesse processo. Eu, por exemplo, tenho um filho de suporte nível 3, então é preciso atenção constante, e isso tudo enquanto trabalho também. O trabalho que a AMA faz é justamente acolher e orientar esses pais que precisam de ajuda", disse Mônica. VÍDEO: Saiba como solicitar o documento que garante direitos as pessoas com TEA Saiba como solicitar o documento que garante direitos as pessoas com TEA Assista aos vídeos mais recentes do g1 AL Veja mais notícias da região no g1 AL

FONTE: https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2025/04/02/dia-mundial-da-conscientizacao-do-autismo-familias-enfrentam-desafios-na-inclusao-em-escolas-de-maceio.ghtml


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